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A View from the Top.

Article from Luisa Cheshire from Trade Latin America

A view from the top.

Brazilian apple supplier and apple producer organisation ABPM chairman Pierre Nicolas Pérès gives his view of Brazil’s 2011 apple season

The 2010-2011 growing season started very well with a good winter for our latitude. The problems started in the spring. A cold and rainy period during blooming with some severe frost in high altitude orchards was the first setback.  Then widespread and intense hailstorms in most apples regions badly hurt growers. Heavy and prolonged rain followed during the summer months, making it the wettest summer on record.

This succession of climate events has reduced Brazil’s 2011 apple volumes. Take Fuji as an example: the 2010 Fuji crop was the largest ever produced. 2011 will be a non-bearing year.  

Across the board, though, crop losses average out at around 18 per cent compared to last year. The continuous rain has increased Gala sizes to far bigger than average, so for the second consecutive year Brazil will be short on small sizes.  This fact has helped to reduce the impact of the bad weather; we were expecting a bigger decrease in production.  

Gala quality is good, with a good colour and a good crunch. Shelf-life will be affected by the excess of water apples have received.

Thanks to our fast-growing economy, the domestic fruit market is very dynamic. Our shorter crop, coupled with the serious problems of unfavourable exchange rates and rising input costs, have led most exporters to significantly reduce their exports to Europe this year and focus on supplying the local market.  

This is never an easy decision, but one that makes financial sense in the circumstances.

Table: Appreciation of the Brazilian real, source: http://www.portalbrasil.eti.br/indices.htm

 Year Reals per US$1 on February 1
2011 1.664
2010 1.861
2009 2.324
2008 1.746
2007 2.099
2006 2.226
2005 2.608
2004 2.932
2003 3.505

 

The only way to make exports profitable is through the devaluation of the real. This is unlikely to happen any time soon.

Another challenge facing the Brazilian apple sector is industry fragmentation. There are too many packhouses offering the same products to the same few buyers. And even with a shorter crop, this puts tremendous pressure on prices.

Brazil’s apple producer association ABPM is leading efforts to create a consortium of apple growers to concentrate their offer, standardize quality and bring order to the market.

Despite higher sales prices over the last few years, grower returns are falling. The successful creation of this consortium is the key to the sector’s sustainability. We can’t change the past, but we can influence the future.

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Maçãs brasileiras miram vendas ao mercado interno

Artigo de Aline Araújo na Revista Porto Sul.

Revista Porto Sul n. 5 Fev-Mar 2011

Adaptação — é esse o nome do jogo na agricultura

O agronegócio brasileiro não tem motivos para temer o aquecimento global — desde que comece a se preparar logo para as mudanças

Ana Luiza Herzog, da EXAME Edição n. 985 do 09/02/2011

Colheita 2011

Tamires Kopp/EXAME.com

Pérès, produtor de maçã, e Oliveira, da Embrapa (ao fundo): busca por maçãs que precisem de menos frio

Sistema de cromatografia líquido com espectrômetro de massa acoplado. O nome do equipamento soa como um palavrão até mesmo para o gaúcho Paulo Ricardo Dias de Oliveira, um engenheiro agrônomo com pós-doutorado em biologia molecular aplicada ao melhoramento de plantas. Portanto, o que interessa a um leigo é saber que o tal sistema, que está sendo importado dos Estados Unidos e deverá chegar ao Brasil em março, tem uma missão importante: ajudar Oliveira, que trabalha para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e mais 28 cientistas a desenvolver variedades de maçã para produtores brasileiros nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.

Por trás da pesquisa, iniciada há quatro anos, há mais do que o simples desejo de oferecer mais opções ao consumidor. O que instiga os cientistas é outro desafio. Para que seus frutos sejam bonitos e saborosos, a macieira, árvore de clima temperado, precisa de um número determinado de horas acumuladas de frio. Respeitada essa regra, a árvore, que durante o inverno fica sob o que a ciência chama de “repouso hibernal”, uma espécie de dormência, volta à ativa com entusiasmo para dar frutos.

A questão é que, nos últimos anos, os pesquisadores têm registrado um declínio nesse acúmulo de horas no sul do país. “Não cabe a mim dizer se isso é fruto ou não do aquecimento global”, diz Oliveira. “O que posso afirmar é que o clima está mudando e a agricultura brasileira precisa se adaptar a isso.”

No início da década de 80, a produção de maçãs no sul do país era embalada por invernos que proporcionavam às árvores algo como 800 a 1 000 horas acumuladas de frio. De 2000 para cá, porém, essa média tem oscilado de 600 a 800 horas. “Quando o frio é contínuo, a macieira dorme bem e acorda com disposição”, diz o francês Pierre Pérès, que produz maçãs em Santa Catarina e é presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM). “Mas o que temos tido são frios intensos por períodos curtos, e quando é assim a macieira acorda cansada.” É claro que há maneiras de driblar o que os produtores chamam de um “inverno ruim”.

Uma delas é fazer uso da cianamida hidrogenada, uma substância que, na falta das horas acumuladas de frio necessárias, induz a macieira a acordar e pegar no tranco. Mas o que a Embrapa quer é poder oferecer aos produtores variedades de maçã mais adaptadas a esse novo cenário.

As pesquisas começaram em 2007, quando os pesquisadores da Embrapa coletaram no pomar de um produtor do município de Monte Castelo, em Santa Catarina, as primeiras amostras de uma mutante recém-descoberta da gala, a variedade de maçã mais consumida no Brasil. Batizada de castel gala, a fruta exige menor acúmulo de frio, mas é vista com desdém por muito produtores por não ser muito saborosa. Para os cientistas da Embrapa, no entanto, a castel gala foi um achado. “Para desenvolver maçãs menos exigentes, precisamos compreender como funciona o mecanismo de dormência”, afirma Oliveira. “E fazer isso fica menos complexo quando podemos comparar o material genético dessas duas.”

A expectativa do agrônomo é que, em 2013, a Embrapa já possa oferecer ao mercado duas novas variedades da fruta — menos friorentas que a gala e a fuji, mas igualmente saborosas. Enquanto isso, os produtores observam com expectativa os esforços dos pesquisadores. “Não podemos esperar o clima mudar ainda mais para aí começar a nos preparar”, diz Pérès, da ABPM.

Futuro

Os pesquisadores da Embrapa sabem disso como ninguém. A instituição e a Unicamp realizaram o principal estudo feito até hoje sobre o impacto das mudanças climáticas na atual configuração agrícola do país. Ele foi lançado em meados de 2008 com base no relatório do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organismo da ONU que estuda o aquecimento global, e revelou que o aumento de temperatura esperado para as próximas décadas pode provocar uma diminuição nas regiões aptas ao cultivo de grãos no país.

Para a soja, que apresenta o maior valor de produção da agricultura brasileira — 38 bilhões de reais em 2009 —, a elevação da temperatura pode gerar perdas de 3,9 bilhões a 4,3 bilhões de reais em 2020. Esse prejuízo poderá ser reduzido, no entanto, se os agricultores puderem contar com variedades mais tolerantes à falta de água. Algo que a Embrapa, assim como as multinacionais privadas de sementes, está tentando desenvolver.

Para isso, a instituição de pesquisa brasileira vem fazendo uso de técnicas de melhoramento tradicionais. É na engenharia genética, porém, que está a maior aposta. Na Embrapa de Londrina, no Paraná, o agrônomo Alexandre Nepomuceno e outros colegas observam com cuidado o crescimento da soja plantada em uma área experimental de 9 000 metros quadrados. O que diferencia essa planta de uma soja qualquer é que ela foi modificada e possui uma expressão maior dos genes Dreb, que ajudam na tolerância à seca.

A patente da tecnologia Dreb pertence ao Jircas, a empresa de pesquisa agropecuária do Japão, mas desde 2003 a Embrapa tem autorização para testá-la. Desde então, ensaios realizados em laboratório deram sinais promissores. No ano passado, Nepomuceno decidiu que já era hora de levar a soja modificada para o mundo real. Ironicamente, de lá para cá, a natureza não ajudou. “Desde que fomos para o campo, não tivemos um episódio sequer de estresse hídrico em Londrina”, diz o pesquisador. Portanto, será preciso dar tempo ao tempo.

Ele ressalta, porém, que é preciso dosar as expectativas. “Não estamos desenvolvendo uma variedade de soja que vai se comportar como um cactus”, diz Nepomuceno. Ou seja, essas novas variedades de soja e de outras culturas que estão sendo testadas, como o trigo e o milho, poderão ajudar o Brasil e outros países a reduzir suas perdas com a falta de chuva, mas não a eliminá-las completamente. Em 2010, um dos países que mais sofreram com a seca foi a Rússia, que está entre os maiores exportadores de trigo. Neste ano, é a Argentina que deve ver sua safra de soja, estimada em 51 milhões de toneladas, sofrer uma queda de quase 10%.

Por enquanto, na maioria das culturas do país, a percepção dos agricultores é de que lidar com as mudanças climáticas não depende de uma mágica da Embrapa, mas de medidas mais simples. No sul de Minas Gerais, região famosa pela produção de café, os agricultores sempre se beneficiaram de condições climáticas muito favoráveis. “Ao longo da última década, o que percebemos é que a distribuição das chuvas está mais caótica”, afirma o agrônomo Rodrigo Paiva, da instituição de pesquisa Fundação Procafé.

O resultado é que vem crescendo o número de cafeicultores adeptos da irrigação. “Ela funciona como um seguro”, afirma o mineiro Dimas Silva Jacob, que tem 250 hectares de cafezais no município de Carmo do Rio Claro e começou a irrigar há dois anos. “Há 30 anos, ninguém diria que isso seria necessário aqui”, diz Paiva.

Brazil will export less than 5 per cent of its total apple crop in 2011 as the re-valuation of the local currency hampers competitiveness and forces suppliers to focus on the local market

By Gill McShane de Eurofruit.

European importers and distributors are expecting a significantly reduced volume of apples from Brazil this year where frosts, rains and hail in the post-flowering period have cut a swathe out of production. A strong local market and a sharp appreciation of the Brazilian real versus the US dollar and the euro will also keep a lid on exports, with volume estimated to decline by 45 per cent to 50,000 tonnes – Brazil’s lowest apple export crop in recent years.

“Despite a very good winter, Brazilian apple production will decline by 22 per cent to less than 1m tonnes in 2011,” Pierre Pérès, chairman of the Brazilian Apple Producers Association (ABPM) tells Eurofruit Magazine.

“A very cold spring, with frosts in the high altitude orchards, followed by storms and hail have reduced production in some areas. Plus, after a bumper Fuji crop in 2010 we are now having an alternate bearing year for this apple variety in 2011.”

With the strong Brazilian real still hampering the industry’s competitiveness and the percentage of apples remaining on the local market continuing to increase, Brazil’s overseas exports this season could be the lowest of the last few years – despite positive marketing conditions in Europe where there are fewer topfruit stocks, higher prices and stable demand.

“Exports will reduce mainly because of the need for growers to cover their costs,” explains Mr Pérès. “The re-evaluation of the real has been impressive these last few years and all of our costs have to be covered. Seeing as it is difficult to raise prices in euros or dollars, our fruit will mainly be sold on the internal market – not as an option but in order to cover costs.”

Fortunately, demand is high on Brazil’s internal market, and although prices during the picking season will come under some pressure from the high volume of individual growers selling their fruit at the same time, ABPM estimates strong demand and a good level of prices once picking is over, which should see growers cover their costs.

Out of the 58 most important economies in the world, Mr Pérès says Brazil has the most expensive currency in the world, which he claims is making the lives of exporters “miserable”, but “very easy” for importers.

“The strong appreciation of the Brazilian real against the US dollar will negatively affect the apple industry by making exports less competitive,” agrees Decofrut’s José Manuel Alcaíno. “But, in the end, the final export volume will depend largely on prices achieved on the internal market.”

Some hope for exports

And although the real-euro/dollar exchange rate will offset the positive marketing panorama in Europe, ABPM believes Brazil may have a chance for some success on the market during the second half of the season.

“The good marketing conditions in Europe should prevail in the second semester, which may allow a good Brazilian export season if the price level is sufficient enough to cover the production costs,” predicts Mr Pérès.

“But Brazilian fruit will be more expensive in general this year (because of the shortfall in volume) so exports will depend our clients’ willingness to accept the price increase.”

The vast majority of Brazil’s 2011 apple exports will be sold in Europe – mainly continental Europe given that eastern Europe is very price sensitive, which makes Brazil uncompetitive, and even more so this year.

“Europe will definitely be the dominant market,” notes Roland Brandes, general manager of RBR Trading – a Brazilian grower-exporter with an import arm based in the Netherlands. “But the positive market situation in Europe will only last for the start of the Southern Hemisphere season,” he predicts.

“After April, I believe the price level will adjust to the quantity of apples arriving from the Southern Hemisphere (Chile, Argentina, South Africa and New Zealand). If the exporters decide to load too much the market may shrink but if volume is lower the price and market will remain positive. As suppliers, we will need to wait and see how the importers and exporters behave and how that influences the market.”

RBR plans to supply around 10,000 tonnes of apples to the domestic and export markets in 2011, which represents around 1 per cent of Brazil’s total crop, according to Mr Brandes. Although the export volume will decrease, the overall quantity RBR handles will be similar to last year.

“RBR had made some new export arrangements for our apple business in 2011, but unfortunately all of the fruit was hit by hail so we will have to sell it on the domestic market,” says Mr Brandes. “We will try to export as much as possible in order to retain our customers, but due to poorer quality and the currency re-evaluation the domestic market will dominate.”

Across in the Middle East and Asia, ABPM expects the good work carried out in the last few seasons will certainly continue this year – a prediction backed up by Mr Brandes who claims both markets are growing.

“If the Royal Gala crop produces smaller sizes this year, exports may increase to some Middle Eastern countries in 2011,” he suggests.

In the US and Canada, meanwhile, exports of Brazilian apples remain possible in theory but practically impossible in practise. “North America needs big sizes apples which are difficult to find in Brazil, so the market there remains small for us,” explains Mr Pérès.

Leading varieties in decline

According to the World Apple And Pear Association (WAPA), Brazilian apple production will come in at 951,000 tonnes this year, compared with 1.23m tonnes in 2010. After a period of growth, the shorter crop this year marks the first decline in Brazilian production since 2008 when volume fell to 983,000 tonnes, from 993,000 tonnes the year earlier, according to WAPA figures.

Variety-wise, Decofrut expects the greatest fall in Brazil’s apple crop will be in the Fuji category (estimated to be down 39 per cent against 2010), due to an “off” year following the large crop of 429,560 tonnes in 2009. Gala volume will also be down by 14 per cent.

In terms of sizes, the rain in January has helped Royal Gala sizes to recover – a situation which will become more clear as the harvest continues, according to Mr Brandes. Harvesting, meanwhile, is expected to start as normal – one week later than last season, which was ahead of schedule.

ABPM, meanwhile, continues to work on the consolidation of the marketing side of Brazil’s apple industry through the creation of a consortium of growers, which is being established with the help of the Brazilian Ministry of Agriculture.

FRUTICULTURA, POLÍTICA E ECONOMIA

 

Qual dos dois, a falta de política agrícola ou as mudanças estruturais do mundo globalizado pode ser responsabilizado pela falta de rentabilidade dos produtores de frutas no Brasil e em especial à produção de maçã. Podemos considerar que a nova escala de produção é uma limitação para os pequenos produtores. Produtividade e qualidade são as chaves da sobrevivência. Um mix de política e associativismo, cooperativismo e a incorporação dentro de um consórcio podem resolver os problemas oriundos do individualismo, falta de qualidade associada à elevada porcentagem de descarte e altos custos.

 

O modelo de produção brasileira de maçã foi construído sob a substituição de maçã importada, modelo encorajado pelo governo e que graças à escolha de variedades adequadas foi um modelo de sucesso por três décadas.  O nosso grande mercado interno aliado às exportações como complemento de renda para a melhor fruta foi o que puxou o desenvolvimento de nossa indústria.  Nos 10 últimos anos apareceram sinais de que o modelo estava se esgotando, falta de rentabilidade, mudanças no comportamento dos compradores profissionais, qualidade heteróclitas nas bancas do varejo, câmbio cada vez menos atrativo para as exportações, mudanças climáticas dificultando a produção de frutas de qualidade empurrando assim um percentual cada vez maior de frutas impróprias para o consumo.  Com certeza a falta de fiscalização das normas de classificação por sua vez tem grande parte de responsabilidade por este fato, e já que o governo oportunizou para os produtores o uso do seguro subsidiado iludindo assim o risco financeiro da atividade para o produtor, este deveria descartar esta fruta.  A desorganização comercial, a falta de união entre os produtores, a concentração do varejo e do mercado na outra ponta acabou agravando o desequilíbrio.

 

O grande aumento de custos principalmente de mão-de-obra aliado a qualidade baixa da fruta produzida e com uma concorrência extremamente agressiva entre os produtores para conquistar o mercado acabaram colocando em sérios riscos à viabilidade econômica do setor.  Esta situação nos obriga a procurar soluções junto com os agentes do setor, governo, bancos e produtores vão ter que viabilizar um plano para poder organizar o setor produtivo com sustentabilidade oferecendo fruta de qualidade para o consumidor.

 

O relatório de Belrose Inc. USA de Julho consagrou a produção no Brasil. Chegamos ao quarto lugar, é uma bela conquista, mostra que o produtor dentro do campo investiu, se atualizou, mas não é a hora de parar, devemos continuar a renovar nossos pomares, os consumidores querem frutas cada vez mais vermelhas, por isso a renovação de pomares devem ser feitas com os últimos clones de Gala e Fuji disponíveis, é uma obrigação para poder continuar na atividade.  Sempre pensando em como reduzir custos e melhorar a qualidade.  Em termos de finanças, mercado e preço, infelizmente a festa acabou, nosso ranking passou a ser o vigésimo terceiro, o que aconteceu?  Não é segredo para ninguém que o custo do dinheiro no Brasil é o mais caro do mundo, até o dinheiro dito subsidiado é caro quando comparado aos financiamentos para a agricultura no restante do mundo.  Tanto os preços praticados no mercado externo como no mercado interno são considerados baixos no universo dos países produzindo maçã, e a organização dos produtores para desenvolver campanhas de marketing é inexistente.  Quanto à organização do setor para controlar a qualidade no ponto de venda ela parou na IN 5, não passou do papel e nunca foi posto em pratica, agravando a situação cada um dos atores esta cheio de certeza.  O resultado: estamos nos últimos lugares de uma classificação internacional que nos compara aos nossos concorrentes, falando deles o Chile que se estruturou para conquistar o mundo está em primeira posição, uma clara visão dos objetivos a perseguir e um setor que se deu os meios de chegar lá.  Existe no Chile uma discussão permanente de como fazer melhor, qual mercado conquistar, o que o governo pode fazer para abrir as portas.  Uma estratégia conjunta para um resultado de ganha-ganha.  Isso não significa que a indústria da Maçã não passa por dificuldade também, por exemplo, para viabilizar um pomar de maçã o produtor para empatar os custos e remunerar o capital investido deve produzir no mínimo  2.316 caixas de gala para exportação; este pomar tem custo de implantação de 22.757,00 dólares por hectare com 1.000 plantas por hectare, irrigação e sem proteção contra granizo o potencial de produção é de 62 toneladas por hectare, a mão-de-obra representando 52% dos custos de produção a um custo de 25 dólares por dia.  A pesquisa está hoje trabalhando num modelo de produção com potencial de produção alto, mais tecnificado para racionalizar e diminuir o uso de mão de obra com 3.215 plantas por hectare, potencial produtivo de 90 toneladas por hectare em Galaxy sobre EM 9, mínimo de 78% de calibre 100 e 87% de qualidade Premium e extra Fancy e investimento inicial de 49.000 dólares por hectare.  Os objetivos são claros e é a meta a ser atingida para a sobrevivência dos produtores chilenos com lucratividade.

 

Tivemos alguns anos de momento econômico melhor que não foram aproveitados para fazer as mudanças estruturais e pensar em como seria o pomar de amanhã, apesar das dificuldades os Chilenos estão sempre um passo a frente o que explica o crescimento espetacular do setor frutícola deles.  Nos falta um planejamento envolvendo um plano agrícola do governo contemplando a fruticultura como atividade plena e diferenciada, uma pesquisa com objetivos de produzir melhor a custo menor e uma associação dos produtores  extremamente forte e focada em crescer juntos.

Devemos esquecer nosso individualismo cego e suicida, tomar exemplo das melhores práticas no mundo, não precisamos inventar um modelo e sofrer por isso, basta ver o que funcionou, se inspirar destes exemplos e criar nosso plano voltando assim a ser um ator pungente da fruticultura.

Os produtores com menos de 25 hectares devem se associar em cooperativas colocando implementos, maquinários e esforços em conjuntos, também deve-se inventar um modelo de integração pequeno produtor grande empresa, a comercialização deve ser controlada por um ou até três consórcios aonde cooperativas, grandes e médios produtores devem deixar a fruta embalada ser vendida.  O governo por sua vez deve encontrar meio de financiar o rearranjo do setor produtivo, promover um financiamento viável das dividas passadas e controlar que as regras sejam compridas, regras de qualidade de oferta e de produção.  Por isso uma política frutícola clara é necessária para os atores do setor poderem se nortear sem risco.  Subsídio não é uma solução, só resolve uma situação de maneira temporária e o problema voltará a acontecer mais cedo ou mais tarde, assim que os subsídios terminarem.  O Ministério da Agricultura e o Ministério de Desenvolvimento agrário devem se empenhar junto com as associações de produtores e o setor financeiro em achar uma solução para uma situação que socialmente possa ficar muito complicada, só na maçã são mais de 150.000 empregados que dependem diretamente e indiretamente desta atividade.

Em 2010 com a valorização cambial, a explosão de custo principalmente com a mão-de-obra, a baixa qualidade da fruta produzida devido ao ano chuvoso e os valores baixíssimos recebidos no mercado marcaram o ápice dos problemas. É o ano para reagir, chamar os poderes públicos, o setor financeiro, as associações de produtores para encontrar uma solução; 2011 poderá ser tarde demais para muitos produtores.  No mesmo tempo a necessidade de continuar investindo e pesquisando para poder garantir uma produção de qualidade e com sustentabilidade amanhã é premente.  A necessidade de certificar a produção de acordo com a vontade dos clientes, a rastreabilidade, a segurança alimentar, a necessidade de deixar para as gerações futuras um meio-ambiente a salvo de depredação são itens importante também das soluções que devemos encontrar conjuntamente.            

 

Entrevista de Sr. Pierre Peres na Eurofruit

Brazil anticipates tough campaign

Despite a bigger and better quality crop, Pierre Pérès, chairman of the Brazilian Apple Producers Association (ABPM), says a record result in Europe is very unlikely.

Can we expect to see more Brazilian apples arriving in Europe during 2010?

PP: This is a very difficult question to answer. The marketing conditions in Europe right now are not good. There is simply not enough confidence from both importers and exporters to anticipate a record export year. Local stocks in Europe are higher than last year, which were already higher than the year before, and everybody remembers how the season ended. We have to learn from the experience of 1995 as well as last year, which means now we have to be very cautious and follow closely what the market demands – to send a lot of fruit without having the market for it does nobody any good. So far, European demand is very weak, prices are lower than in 2009 and for most of the Southern Hemisphere supply countries this might cause an even bigger problem since their currency is stronger in value this year in comparison to 2009. All in all, prospects for the coming season in Europe don’t look very good. Plus, competition may also be stronger from Chile because they have a bigger crop.

Is the situation looking more positive in Russia and the Middle East?

PP: Last year Brazil consolidated its position on the Russian market, although it was not the first year that Brazilian companies exported apples to Russia. Interest from the importers in both the Middle East and Asia also seems very strong this season. There is a genuine interest in Brazilian apples in these regions. Now we have to respond to that demand with adequate quality and adequate pricing. If all the hard work we put in (to consolidate and make new contacts) at Fruit Logistica pays off with a steady flow of exports, it will be a good year for Brazilian apples in the Middle East and Asia. In total, Brazil currently supplies apples to 55 different markets.

What role has the weather played this year? What are the expectations in terms of quality, colour and sizes?

PP: It’s certainly going to be a much improved year because the apples are of a far better quality. In 2010, Brazil has experienced less hail and there is less russeting on the fruit following milder temperatures during the spring as well as at beginning of the summer. After a good winter, you could say the weather has been almost friendly this season. The only black spot on the horizon is the recent warm period – and we’re still waiting to see what impact that will have on the crop.

With that in mind, how many tonnes of apples will Brazil produce in 2010?

PP: The preliminary forecast for 2010 is 1,132,826 tonnes, which is 7.6 per cent more than in 2009. This forecast takes into consideration the bigger fruit sizes this year (due to the generous amount of rainfall that Brazil received this season) but not the effect of the accelerated maturation process (following warmer-than-normal temperatures) since we do not yet know the full impact. What I can say is that Brazil has been dealt a good hand from Mother Nature in terms of the rainfall we have received, and, in the end, we expect to produce a crop somewhere in between the pre-season estimate and what was picked last year.

Does that mean that exports are also set to increase?

PP: Yes, the export outlook is good. It seems there is a lot of interest in Brazilian apples from the Middle East and Asia in particular. Although, as I mentioned, Europe doesn’t look so attractive due to the economic crisis and the large stock of apples recorded in the region at the beginning of February. In total, Brazil is estimated to ship 115,000 tonnes of apples during the course of 2010, in comparison to the 98,203 tonnes supplied last year. With that in mind, we may have a 17 per cent growth in the overall export volume. In general, this is down to a much better quality crop this year (with less russeting, a very good skin finish and a nice colour), and, of course, the bigger volume to be picked.

How is the Brazilian apple industry faring at the moment?

PP: The industry is growing, although, like everywhere else, the situation for growers remains difficult. There is still a lack of profitability; producers increasingly have to adhere to a lot of new demands; and they receive no financial reward for putting at risk the sustainability of the sector. During the next few years we expect more growth within the industry, followed by a period of adjustment. Indeed, the consolidation of the trade has already started, with some large companies being bought by other big groups during 2009.

How will this consolidation process change the business?

PP: Together with the Brazilian Ministry of Agriculture, the apple community is looking to consolidate the sector in such a way so we buy and sell as one organisation. This project started last year and should become operational by the end of 2010. At that point, it will be up to each grower and exporter whether they decide to join the consortium or not.

União para vender melhor – O caminho para os produtores atingirem melhor rentabilidade

Artigo publicado no jornal Agrocaxias.

Um dado da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) é o retrato da atual situação da produção nacional dessa fruta: o país é o quarto melhor produtor mundial da porteira para dentro e estamos somente no vigésimo terceiro lugar quando o assunto é comercialização, tendo como base o acesso ao dinheiro, a relação de poder dos produtores e o preço médio de venda da fruta. Essa informação publicada no mês de Julho pela BELROSE, USA comprova que do lado de dentro da porteira, na utilização de técnicas de produção, o agricultor é muito eficiente, mas fora da propriedade, na hora de vender a safra, ainda temos um longo caminho pela frente.

– A comercialização é feita de forma desorganizada: são muitos vendedores e poucos compradores. Há uma inconsistência em relação a oferta diária e nos preços – têm todos os tipos de preços. Ninguém se fala, todo mundo escuta a opinão do comprador e acaba fazendo o que acho melhor para ele – critica o presidente da ABPM, Pierre Nicolas Pérès.

O primeiro desafio do setor é organizar a comercialização – a produção brasileira é de aproximadamente 1,132 milhão de toneladas (51% em SC, 44% no RS e 5% no Paraná) e a Associação considera esse volume adequado ao consumo existente hoje no Brasil. Então onde está o gargalo? É que atualmente o poder está nas mãos dos compradores, devido a oferta que é muito grande na safra e a desorganização comercial dos produtores.

– O produtor precisa se unir em grandes consórcios ou cooperativas para comercializar a produção, com isso, o poder de venda volta ao agricultor – orienta Pérès.

O presidente da ABPM cita como referência a Itália onde os produtores criaram primeiro, as cooperativas locais, depois se uniram em cooperativas regionais e essas por sua vez se uniram em uma cooperativa central. Seria como se os produtores de Caxias do Sul pertencessem a uma cooperativa ligada a outra da Serra Gaúcha e que fosse integrante de uma cooperativa do Rio Grande do Sul. No exemplo italiano, essa cooperativa produz 1 milhão de toneladas e as três principais cooperativas do país montaram um escritório que faz o faturamento da venda que representa 50% da produção italiana de maçã.

– Foi a forma que eles encontraram para poder enfrentar as forças de mercado  e competir com os concorrentes globais – destaca.

E essa parece ser a alternativa para o produtor brasileiro impor seus preços, voltar a ter poder de barganha e não se tornar refém do comprador.  Mesmo porque o cenário é preocupante: apenas 3 grandes redes de Supermercados (Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar)  detém 44% do mercado nacional.

– Se continuar assim é dar um tiro no pé. Muitos desistirão, outros trocarão de cultura ou ficarão atolados em dívidas – alerta o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã.

– Mexeu no ponto fraco dos pomicultores, pela falta de união e profissionalismo comercial – reconhece Maicon Felipe Zanette de Vila Oliva, ao assistir a palestra do presidente da ABPM durante Seminário promovido pela Agrocaxias.

Cotação em alta

A boa notícia é que a tendência é de elevação nos preços neste segundo semestre. A estimativa é com base nos estoques que estão menores, cerca de 350 mil toneladas. É preciso saber se esse aumento será suficiente para compensar as perdas dos primeiros seis meses do ano, período que ficou 35% abaixo dos preços praticados na mesma época de 2009 – quando já ficamos no limite dos custos de produção.

– O produtor trabalhou o primeiro semestre de 2010 com 35% abaixo dos custos. Agora vai depender também da força do produtor de querer realmente subir os preços para recuperar esse prejuízo – reitera.