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FRUTICULTURA, POLÍTICA E ECONOMIA

 

Qual dos dois, a falta de política agrícola ou as mudanças estruturais do mundo globalizado pode ser responsabilizado pela falta de rentabilidade dos produtores de frutas no Brasil e em especial à produção de maçã. Podemos considerar que a nova escala de produção é uma limitação para os pequenos produtores. Produtividade e qualidade são as chaves da sobrevivência. Um mix de política e associativismo, cooperativismo e a incorporação dentro de um consórcio podem resolver os problemas oriundos do individualismo, falta de qualidade associada à elevada porcentagem de descarte e altos custos.

 

O modelo de produção brasileira de maçã foi construído sob a substituição de maçã importada, modelo encorajado pelo governo e que graças à escolha de variedades adequadas foi um modelo de sucesso por três décadas.  O nosso grande mercado interno aliado às exportações como complemento de renda para a melhor fruta foi o que puxou o desenvolvimento de nossa indústria.  Nos 10 últimos anos apareceram sinais de que o modelo estava se esgotando, falta de rentabilidade, mudanças no comportamento dos compradores profissionais, qualidade heteróclitas nas bancas do varejo, câmbio cada vez menos atrativo para as exportações, mudanças climáticas dificultando a produção de frutas de qualidade empurrando assim um percentual cada vez maior de frutas impróprias para o consumo.  Com certeza a falta de fiscalização das normas de classificação por sua vez tem grande parte de responsabilidade por este fato, e já que o governo oportunizou para os produtores o uso do seguro subsidiado iludindo assim o risco financeiro da atividade para o produtor, este deveria descartar esta fruta.  A desorganização comercial, a falta de união entre os produtores, a concentração do varejo e do mercado na outra ponta acabou agravando o desequilíbrio.

 

O grande aumento de custos principalmente de mão-de-obra aliado a qualidade baixa da fruta produzida e com uma concorrência extremamente agressiva entre os produtores para conquistar o mercado acabaram colocando em sérios riscos à viabilidade econômica do setor.  Esta situação nos obriga a procurar soluções junto com os agentes do setor, governo, bancos e produtores vão ter que viabilizar um plano para poder organizar o setor produtivo com sustentabilidade oferecendo fruta de qualidade para o consumidor.

 

O relatório de Belrose Inc. USA de Julho consagrou a produção no Brasil. Chegamos ao quarto lugar, é uma bela conquista, mostra que o produtor dentro do campo investiu, se atualizou, mas não é a hora de parar, devemos continuar a renovar nossos pomares, os consumidores querem frutas cada vez mais vermelhas, por isso a renovação de pomares devem ser feitas com os últimos clones de Gala e Fuji disponíveis, é uma obrigação para poder continuar na atividade.  Sempre pensando em como reduzir custos e melhorar a qualidade.  Em termos de finanças, mercado e preço, infelizmente a festa acabou, nosso ranking passou a ser o vigésimo terceiro, o que aconteceu?  Não é segredo para ninguém que o custo do dinheiro no Brasil é o mais caro do mundo, até o dinheiro dito subsidiado é caro quando comparado aos financiamentos para a agricultura no restante do mundo.  Tanto os preços praticados no mercado externo como no mercado interno são considerados baixos no universo dos países produzindo maçã, e a organização dos produtores para desenvolver campanhas de marketing é inexistente.  Quanto à organização do setor para controlar a qualidade no ponto de venda ela parou na IN 5, não passou do papel e nunca foi posto em pratica, agravando a situação cada um dos atores esta cheio de certeza.  O resultado: estamos nos últimos lugares de uma classificação internacional que nos compara aos nossos concorrentes, falando deles o Chile que se estruturou para conquistar o mundo está em primeira posição, uma clara visão dos objetivos a perseguir e um setor que se deu os meios de chegar lá.  Existe no Chile uma discussão permanente de como fazer melhor, qual mercado conquistar, o que o governo pode fazer para abrir as portas.  Uma estratégia conjunta para um resultado de ganha-ganha.  Isso não significa que a indústria da Maçã não passa por dificuldade também, por exemplo, para viabilizar um pomar de maçã o produtor para empatar os custos e remunerar o capital investido deve produzir no mínimo  2.316 caixas de gala para exportação; este pomar tem custo de implantação de 22.757,00 dólares por hectare com 1.000 plantas por hectare, irrigação e sem proteção contra granizo o potencial de produção é de 62 toneladas por hectare, a mão-de-obra representando 52% dos custos de produção a um custo de 25 dólares por dia.  A pesquisa está hoje trabalhando num modelo de produção com potencial de produção alto, mais tecnificado para racionalizar e diminuir o uso de mão de obra com 3.215 plantas por hectare, potencial produtivo de 90 toneladas por hectare em Galaxy sobre EM 9, mínimo de 78% de calibre 100 e 87% de qualidade Premium e extra Fancy e investimento inicial de 49.000 dólares por hectare.  Os objetivos são claros e é a meta a ser atingida para a sobrevivência dos produtores chilenos com lucratividade.

 

Tivemos alguns anos de momento econômico melhor que não foram aproveitados para fazer as mudanças estruturais e pensar em como seria o pomar de amanhã, apesar das dificuldades os Chilenos estão sempre um passo a frente o que explica o crescimento espetacular do setor frutícola deles.  Nos falta um planejamento envolvendo um plano agrícola do governo contemplando a fruticultura como atividade plena e diferenciada, uma pesquisa com objetivos de produzir melhor a custo menor e uma associação dos produtores  extremamente forte e focada em crescer juntos.

Devemos esquecer nosso individualismo cego e suicida, tomar exemplo das melhores práticas no mundo, não precisamos inventar um modelo e sofrer por isso, basta ver o que funcionou, se inspirar destes exemplos e criar nosso plano voltando assim a ser um ator pungente da fruticultura.

Os produtores com menos de 25 hectares devem se associar em cooperativas colocando implementos, maquinários e esforços em conjuntos, também deve-se inventar um modelo de integração pequeno produtor grande empresa, a comercialização deve ser controlada por um ou até três consórcios aonde cooperativas, grandes e médios produtores devem deixar a fruta embalada ser vendida.  O governo por sua vez deve encontrar meio de financiar o rearranjo do setor produtivo, promover um financiamento viável das dividas passadas e controlar que as regras sejam compridas, regras de qualidade de oferta e de produção.  Por isso uma política frutícola clara é necessária para os atores do setor poderem se nortear sem risco.  Subsídio não é uma solução, só resolve uma situação de maneira temporária e o problema voltará a acontecer mais cedo ou mais tarde, assim que os subsídios terminarem.  O Ministério da Agricultura e o Ministério de Desenvolvimento agrário devem se empenhar junto com as associações de produtores e o setor financeiro em achar uma solução para uma situação que socialmente possa ficar muito complicada, só na maçã são mais de 150.000 empregados que dependem diretamente e indiretamente desta atividade.

Em 2010 com a valorização cambial, a explosão de custo principalmente com a mão-de-obra, a baixa qualidade da fruta produzida devido ao ano chuvoso e os valores baixíssimos recebidos no mercado marcaram o ápice dos problemas. É o ano para reagir, chamar os poderes públicos, o setor financeiro, as associações de produtores para encontrar uma solução; 2011 poderá ser tarde demais para muitos produtores.  No mesmo tempo a necessidade de continuar investindo e pesquisando para poder garantir uma produção de qualidade e com sustentabilidade amanhã é premente.  A necessidade de certificar a produção de acordo com a vontade dos clientes, a rastreabilidade, a segurança alimentar, a necessidade de deixar para as gerações futuras um meio-ambiente a salvo de depredação são itens importante também das soluções que devemos encontrar conjuntamente.            

 

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Uma resposta

  1. Uma excelente análise do setor. Há que sensibilizar a mídia e mobilizar forças políticas para encaminhar ações favoráveis à produção.

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