Artigo publicado no jornal Agrocaxias.
Um dado da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) é o retrato da atual situação da produção nacional dessa fruta: o país é o quarto melhor produtor mundial da porteira para dentro e estamos somente no vigésimo terceiro lugar quando o assunto é comercialização, tendo como base o acesso ao dinheiro, a relação de poder dos produtores e o preço médio de venda da fruta. Essa informação publicada no mês de Julho pela BELROSE, USA comprova que do lado de dentro da porteira, na utilização de técnicas de produção, o agricultor é muito eficiente, mas fora da propriedade, na hora de vender a safra, ainda temos um longo caminho pela frente.
- A comercialização é feita de forma desorganizada: são muitos vendedores e poucos compradores. Há uma inconsistência em relação a oferta diária e nos preços – têm todos os tipos de preços. Ninguém se fala, todo mundo escuta a opinão do comprador e acaba fazendo o que acho melhor para ele – critica o presidente da ABPM, Pierre Nicolas Pérès.
O primeiro desafio do setor é organizar a comercialização – a produção brasileira é de aproximadamente 1,132 milhão de toneladas (51% em SC, 44% no RS e 5% no Paraná) e a Associação considera esse volume adequado ao consumo existente hoje no Brasil. Então onde está o gargalo? É que atualmente o poder está nas mãos dos compradores, devido a oferta que é muito grande na safra e a desorganização comercial dos produtores.
- O produtor precisa se unir em grandes consórcios ou cooperativas para comercializar a produção, com isso, o poder de venda volta ao agricultor – orienta Pérès.
O presidente da ABPM cita como referência a Itália onde os produtores criaram primeiro, as cooperativas locais, depois se uniram em cooperativas regionais e essas por sua vez se uniram em uma cooperativa central. Seria como se os produtores de Caxias do Sul pertencessem a uma cooperativa ligada a outra da Serra Gaúcha e que fosse integrante de uma cooperativa do Rio Grande do Sul. No exemplo italiano, essa cooperativa produz 1 milhão de toneladas e as três principais cooperativas do país montaram um escritório que faz o faturamento da venda que representa 50% da produção italiana de maçã.
- Foi a forma que eles encontraram para poder enfrentar as forças de mercado e competir com os concorrentes globais – destaca.
E essa parece ser a alternativa para o produtor brasileiro impor seus preços, voltar a ter poder de barganha e não se tornar refém do comprador. Mesmo porque o cenário é preocupante: apenas 3 grandes redes de Supermercados (Carrefour, Walmart e Pão de Açúcar) detém 44% do mercado nacional.
- Se continuar assim é dar um tiro no pé. Muitos desistirão, outros trocarão de cultura ou ficarão atolados em dívidas – alerta o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Maçã.
- Mexeu no ponto fraco dos pomicultores, pela falta de união e profissionalismo comercial – reconhece Maicon Felipe Zanette de Vila Oliva, ao assistir a palestra do presidente da ABPM durante Seminário promovido pela Agrocaxias.
Cotação em alta
A boa notícia é que a tendência é de elevação nos preços neste segundo semestre. A estimativa é com base nos estoques que estão menores, cerca de 350 mil toneladas. É preciso saber se esse aumento será suficiente para compensar as perdas dos primeiros seis meses do ano, período que ficou 35% abaixo dos preços praticados na mesma época de 2009 – quando já ficamos no limite dos custos de produção.
- O produtor trabalhou o primeiro semestre de 2010 com 35% abaixo dos custos. Agora vai depender também da força do produtor de querer realmente subir os preços para recuperar esse prejuízo – reitera.
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